terça-feira, 22 de novembro de 2016

Procura-se uma vassoura.

Procura-se uma vassoura.
Preciso varrer para longe
 e não pra debaixo do tapete
coisas,  sentimentos,  pessoas.
Tranqueiras que entulham o coração,
ocupando um lugar essencial,
destinado às coisas que realmente importam,  não por serem coisas
ou pelo seu valor agregado,
Mas por contarem uma história.
Sentimentos que não me representam.
 E que mesmo assim permiti
que se alojassem em minha alma,
deformando-me:
 angústia, ansiedade,  indiferença,  conformismo, medo, insegurança...
 Eu sei que a culpa por cada um deles macularem minha essência é minha, 
somente minha.
Eu consenti que cada um deles ganhasse uma força descomunal.
Sobrepondo-se a mim mesmo.
Pessoas que chegaram sorrindo e por isso ficaram,
entretanto deixaram suas máscaras cair.
Quando as percebi de fato,
já não era mais eu quem habitava essa pele.
Não me reconheci.
 Não me reconheciam.
Era um triste espectro de mim mesmo.
Por isso procuro uma vassoura
Pra varrer toda a podridão da minha alma,
e em seu lugar plantar,  florescer,  perfumar,  embelezar,  amar...
Amar  inteiramente
Ser integralmente
Sorrir verdadeiramente

Viver completamente.

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